Machismo, grosseria, covardia: o triste espetáculo de Omar Aziz e Otto Alencar

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Imagem: Agência Senado.

A CPI da COVID foi palco nesta terça-feira (01/06) de dois deprimentes episódios que envergonharão para sempre o Senado brasileiro. Dois senadores da República agiram com extrema grosseria e machismo com uma mulher, médica que foi depor na comissão parlamentar de inquérito como convidada, a Dra. Nise Yamaguchi.

OMAR AZIZ

O senador Omar Aziz (PSD-AM), que preside a comissão, foi o primeiro a perder a compostura com a depoente quando ela respondia aos questionamentos do relator, Renan Calheiros (MDB-AL). Aziz interrompeu o depoimento diante de uma resposta incompleta da médica, que nunca conseguia responder sem ser interrompida e explicar seus posicionamentos de forma adequada, e começou a a desqualificar a fala da médica e a se dirigir para o público que assistia o depoimento: “Desconsiderem o que ela disse, não acreditem nela, a vacina salva“.

A intenção do senador era de jogar para a plateia a seu favor e desqualificar a depoente que, em nenhum momento, se disse contrária à vacina. Aziz aproveitou-se do temperamento tímido e resignado da Dra. Nise, que não reagiu à agressividade e parecia mais incrédula que ofendida.

OTTO ALENCAR

Mas o pior ainda estava por vir. No tempo regimental do senador Otto Alencar o público teve a oportunidade de ver a apoteose da covardia, da agressividade e do machismo. Alencar fez sucessivas perguntas de forma intimidante, agressiva e debochada, sem permitir que a depoente respondesse. E, qualquer que fosse a tentativa da Dra. Nise de falar, o senador gritava mais alto.

Em uma oportunidade, Alencar fez uma pergunta elementar, de ensino médio, de forma a fazer parecer que a médica não sabia o básico da biologia. Acuada, a médica não respondeu e continuou com seu método de anotar as perguntas para responder tudo no final. Diante da insistência, ela respondeu a diferença entre um protozoário e um vírus. O senador gritou mais alto dizendo que estava errado e descreveu o protozoário e o vírus da mesma forma que ela havia feito, mas com outras palavras, jogando para a plateia leiga que assistia ao depoimento.

Ao final do tempo regimental do senador, a médica tentou responder à série e questionamentos feitos por ele e foi novamente interrompida. O senador Eduardo Girão pediu a palavra para censurar o comportamento do seu colega e o presidente da CPI interrompeu a sessão para um lanche, sem que a Dra. Nise pudesse responder às agressões e às perguntas do senador Otto Alencar.

A REPERCUSSÃO

Nas redes sociais a reação às agressões do senador Otto Alencar foi imediata. Os oposicionistas ampliaram no Twitter a farsa que o senador construiu, fazendo parecer que a médica era uma desqualificada, enquanto outros internautas mostraram sua indignação com o que aconteceu na CPI.

A deputada Vivi Reis (PSOL-PA) foi uma das que, embora se digam feministas, apoiaram o comportamento do senador contra uma mulher e colaboraram para o machismo, a grosseria e a covardia contra uma mulher.

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