“Vírus saiu de laboratório”, diz fundador da farmacêutica Moderna

0
781
Derrick Rossi em seu laboratório em Harvard. Foto: Divulgação.

Fundador da farmacêutica Moderna, responsável pela fabricação de uma das vacinas anti-COVID-19 mais utilizadas no EUA, o biólogo Derrick Rossi afirmou em entrevista que está convencido de que o vírus saiu de um laboratório de Wuhan, na China.

Embora não tenha provas concretas, o pesquisador acredita que o novo coronavírus foi criado em um laboratório na China. Esta versão, aliás, vem sendo defendida por vários cientistas. A China, porém, sempre negou e a OMS também nunca confirmou.

Não temos provas em nenhum sentido, mas este vírus é tão diferente do dos morcegos, que me parece improvável que tenha surgido de uma forma natural. Sabe-se que havia um laboratório em Wuhan (China) que estava a trabalhar nele e estou convencido que saiu dali, que lhes escapou. Não creio que tenha sido de forma deliberada, simplesmente estavam a estudá-lo e houve um acidente. A China continua a negar esta teoria, claro, mas é a explicação mais lógica que encontro“, disse Derrick Rossi em entrevista ao jornal espanhol El Comercio.

Rossi recebeu recentemente o Prêmio Princesa da Astúrias na área de investigação científica e técnica.

Derick Rossi foi ainda perguntado na entrevista se as vacinas imunizam de forma definitiva contra o vírus da COVID-19. O biólogo levantou algumas dúvidas sobre a necessidade de um reforço. “Ainda é difícil sabermos. Pode ser que a vacina nos faça gerar uma imunidade natural e não seja necessário mais tomas de vacina. Mas também podem acontecer mutações no vírus, e tenhamos que vacinar-nos todos os anos, como é o caso da gripe.”

Em qualquer dos casos, estamos cada vez mais preparados para isso. O mais difícil foi montar as estruturas para produzir e distribuir as vacinas. Mas é uma questão que se está a resolver e cada vez mais conseguimos chegar a todas as partes do mundo“, completou.

O biólogo defende de que as vacinas atualmente disponíveis podem fazer frente a várias variantes, sobretudo no caso da variante Delta, a que mais preocupa neste momento. “Os vírus são a unidade evolutiva mais perfeita que existe. Sabem adaptar-se a qualquer inconveniente e pode ser que até consigam adaptar-se à vacina. O bom da tecnologia RNA mensageiro é que, rapidamente, somos capazes de adaptar-nos também ao vírus, por isso estou otimista“.

O premiado pesquisador acredita que, no futuro, poderemos ter que lidar como outros tipos de pandemias, mas tem confiança que com os estudos do último ano e meio, a ciência saberá enfrentá-las. “Não podemos esquecer outras pandemias do passado, como a gripe de 1918. Mas eu acho que esta pandemia foi excecional, apesar de não termos dúvidas de que vão existir mais vírus a atingir os humanos e que causem doenças. Espero é que estejamos preparados para elas. E certamente haverão no futuro tecnologias que ainda desconhecemos que nos irão ajudar“.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here