A farsa dos recordes diários

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Imagem: Reprodução do site G1.

O uso político que se faz do novo coronavírus e da doença que ele causa é ainda mais letal que a própria doença. Se a COVID-19 tem efeitos terríveis em alguns organismos – apesar do quadro assintomático em muitos outros – o uso político da tragédia amplia muito seus efeitos. Ocorre que conforme as farsas são reveladas, passa-se a impressão para a sociedade de que a doença é uma farsa também, comprometendo o engajamento social contra a difusão do vírus.

E uma das mais explícitas fraudes dessa pandemia é o recorde diário de mortes das terças-feiras. Toda semanas, sempre às terças-feiras, ocorre a divulgação de um número gigantesco de óbitos ocorridos nas 24 horas anteriores. É de se espantar que ninguém perceba nem denuncie isso, mas o Nova Iguaçu 24h não deixará passar em branco.

Imagem: Google.

Em todas as semanas ocorre um recuo na contabilidade de óbitos de sábado até segunda-feira. As mortes caem pela metade dos dias anteriores. Vejam, por exemplo, o que ocorreu nos últimos oito dias, conforme informações do JHU CSSE COVID-19 Data:

  1. No dia 30 de março (terça-feira) foram anunciadas 3780 nas 24 horas anteriores;
  2. No dia 31 de março foram anunciadas 3869;
  3. No dia 1º de abril, foram 3769 óbitos;
  4. Na sexta-feira, dia 02 de abril foram 2922;
  5. A partir de sábado os números começam a despencar: 1987 óbitos;
  6. No domingo, 04 de abril, foram 1240 notificações e;
  7. Na segunda-feira, dia 05 de abril, foram 1319 óbitos.
  8. E como acontece em todas as semanas, na terça-feira (06/04) veio o “boom” de óbitos e novo recorde: 4195 falecidos (ou 4211, a depender da fonte).

O recorde semanal colabora para a histeria e não para a informação da sociedade sobre a pandemia. O uso político é claro e evidente. E o comportamento dos números é absurdo. O recuo das mortes sempre de sábado até segunda-feira e o recorde às terça é uma indiscutível manobra nas notificações para gerar manchetes e exploração da tragédia sanitária pela imprensa e pelos políticos de oposição.

O que espanta é a inércia dos senhores e senhoras deputados governistas em produzir relatórios e denunciar essa manobra torpe e seu uso com fins políticos. Em uma crise sanitária não cabe exploração política porque o efeito dela é o agravamento da situação e o aumento do número de mortos. Os efeitos na saúde mental de muitos brasileiros têm sido graves e levado ao aumento do número de suicídios e de depressão. É preciso dar um basta na exploração da tragédia.

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